A agroecologia tem um papel crescente na produção de plantas medicinais e fitoterápicos dentro do SUS, fortalecida pela Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) desde 2006. Estudos indicam que o cultivo agroecológico melhora a qualidade dos princípios ativos e reduz resíduos de agroquímicos. A Embrapa recomenda práticas como adubação orgânica e diversificação de culturas para garantir maior qualidade das plantas. O próprio Ministério da Agricultura e Pecuária, em um guia de 2006, sugere o plantio em áreas livres de agrotóxicos, alinhando-se, ainda que implicitamente, aos princípios agroecológicos.O Sistema RedesFito, coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Jefferson Santos, promove arranjos ecoprodutivos locais (AEPL), conectando agricultores, governos, academia e sociedade para desenvolver fitoterápicos e fitoprodutos. Segundo Santos, a iniciativa busca integrar conhecimentos populares e tradicionais sobre biodiversidade, fomentando teias produtivas que vão além da simples produção. “São as pessoas do próprio território que nos procuram para montar um arranjo. Que não tem a ver só com produção, mas com a junção de todos os atores envolvidos nessa teia das plantas medicinais, fitoterápicos e fitoprodutos”, explica.O programa também incentiva a implantação de farmácias vivas no SUS e defende a produção agroecológica. “O sistema agroecológico é o caminho para uma produção de plantas medicinais e fitoterápicos que venha a promover saúde, e não mais doença”, afirma Santos. Além da promoção da saúde, ele aposta no potencial desses arranjos para geração de renda, apesar dos desafios regulatórios que ainda impedem pequenos agricultores de vender suas plantas medicinais para as farmácias vivas e o Ministério da Saúde.
Fonte: Revista POLI - Saúde, educação e trabalho